Líder do PT celebra indicação de Lira para relatar isenção do IR; entenda

Lindbergh Farias explica por que seu partido vê com bons olhos o fato de Arthur Lira ter sido designado como relator da proposta do governo Lula que isenta de IR aqueles que ganham até R$ 5 mil

O líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), disse que seu partido enxerga com bons olhos a indicação de Arthur Lira (PP-AL) para relatar o projeto do governo Lula que prevê isenção de Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês. 

Nesta quinta-feira (3), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), designou Lira como relator do projeto e Rubens Pereira Jr (PT-MA) como presidente da Comissão Especial que analisará a proposta. 

Apresentado em março pelo governo Lula, o projeto que prevê a ampliação da faixa de isenção do IR era uma das principais promessas de campanha do presidente e deve beneficiar cerca de 30 milhões de brasileiros. Para compensar a perda de arrecadação, estimada em R$ 27 bilhões, o governo planeja criar um tributo progressivo sobre rendimentos superiores a R$ 50 mil mensais, alcançando 10% para ganhos acima de R$ 1 milhão por ano.

Em coletiva de imprensa, Lindbergh disse “encarar como muito positiva” a indicação de Lira para relatar o projeto pois isso significaria que a proposta estaria sendo encarada como “uma questão central” na Câmara. 

“Eu encaro com muito positiva a indicação do presidente Arthur Lira [para relatar o projeto]. Se tem uma coisa que a gente queria se preocupar desde o começo, é mostrar que a prioridade número um do governo, nossa, era a aprovação desse projeto, que vai beneficiar dezenas de milhões de pessoas. Uma coisa que a gente não queria é que esse projeto ficasse um pouco de lado, não tivesse importância de vida, que perdesse tempo, que demorasse muito. Ao colocar Arthur Lira como relator, Rubens Pereira Jr como presidente, a gente sabe que está sendo encarado por essa Casa com uma questão central, que para nós é mais importante”, declarou o petista. 

Lindbergh afirmou que a tributação dos mais ricos, como forma de compensar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, é uma prioridade do seu partido. Ele reconhece, no entanto, as dificuldades que enfrentará para manter a proposta nos moldes atuais quando o projeto começar a tramitar

“Esse é um debate público que a gente vai querer comprar na sociedade, envolver as pessoas. Então, a gente não aceita, ou seja, quer fazer o debate nesse sentido, que essa coisa dos muito ricos que pagam muito pouco imposto. É central pra gente que eles passem a contribuir”, pontuou o líder do PT. 

Lindbergh fez referência ao presidente do PP, o senador Ciro Nogueira, que foi flagrado em uma conversa com agentes do mercado financeiro prometendo livrar os mais ricos de impostos. O parlamentar, após o vazamento do áudio em que se compromete com os ricaços, foi às redes sociais para afirmar que apresentaria uma “proposta alternativa” de compensação à isenção do IR. 

Lindbergh, no entanto, garante que a taxação daqueles que ganham mais de R$ 50 mil, tal qual a isenção para os que ganham até R$ 5 mil, é uma prioridade de seu partido e do governo e que acredita que a proposta possa ser aprovada nesses moldes. 

“Tem que ter contribuição lá de cima (…) É central manter tanto a isenção como a tributação dos muito ricos. Claro que pode ter modulação aqui do que vai fazer. Eu vejo o que tem o Ciro com uma ideia. É o senador, o presidente do partido. Vão surgir muitas ideias. Então, vai ser um processo muito rico. E eu tenho uma certeza que, com o relator Lira, a gente vai cumprir o programa que ele vai designar”, disse o deputado. 

“Vai ter uma comissão especial com muito peso. O que a gente mais quer é transformar essa discussão da isenção do Imposto de Renda num assunto cotidiano da sociedade”, emendou.

Ciro Nogueira quer livrar ricaços de imposto 

Cerca de 72 horas após prometer, em evento do Banco BTG Pactual desgastar o governo Lula e defender “todo mundo taxado acima dos R$ 50 mil”, em relação à medida que compensa a isenção do Imposto de Renda daqueles que ganham até R$ 5 mil, Ciro Nogueira, presidente do PP, afirmou que apresentou ao Senado uma proposta para cumprir o prometido aos endinheirados.

Em publicação na rede X, Nogueira diz que a proposta mantém a isenção para aqueles que têm renda até R$ 5 mil, “mas oferece formas mais eficientes e justas de equilibrar as contas públicas”.

Na prática, o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, um dos articuladores do Orçamento Secreto junto a Arthur Lira (PP-AL), pretende retirar o imposto dos endinheirados.

“Nosso maior compromisso é com o Brasil, por isso sempre apoiaremos medidas positivas para a população. No entanto, não podemos nunca deixar de lado a preservação de empregos e o equilíbrio tributário do País”, emendou o senador, defendendo que ricos não paguem impostos.

No evento, em que debateu com o ex-ministro Edinho Silva (PT), Nogueira adulou a plateia, formada pela burguesia financista, prometendo justamente “ver a questão da compensação” do Imposto de Renda.

Segundo reportagem de Cleber Lourenço, no ICL, um dos financistas presentes mostrou preocupação com a medida dizendo que “aqui está todo mundo taxado acima dos 50 mil”.

Nogueira então respondeu que é preciso “ver a questão da compensação”, o que anunciou hoje nas redes.

O senador bolsonarista ainda prometeu a investidores desgastar o governo Lula com uma “contenção” da oposição no Congresso Nacional. 

Em áudio obtido pelo site ICL Notícias, o senador sinaliza desejar o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirma que o movimento é inviável pelo fato do mandatário ter, no mínimo, 30% de apoio popular, defendendo uma estratégia para enfraquecer o governo, mirando 2026. 

“É muito semelhante com o que acontece no governo Dilma, quando nosso partido saiu e desencadeou todo o processo de impeachment. Só que uma coisa é você tirar a Dilma (…) Costumo a dizer que quem faz impeachment de presidente não é o Congresso, é a população. A Dilma foi tirada porque ela tinha 7% [de aprovação]. O Lula tem um piso de 30%, então, não vai cair, não. E eu acho que seria muito traumático para esse momento econômico”, afirma. 

Em outro momento, porém, Ciro Nogueira prometeu “conter” o governo Lula, deixando claro seu objetivo de enfraquecê-lo para que a extrema direita volte ao poder nas próximas eleições. 

“Não vai haver rompimento institucional, mas o Congresso vai segurar. Vai ser a contenção até 2026”, disparou o senador. E continuou: “O eleitor está pronto para migrar. Esse governo já deu o que tinha que dar”. 

FONTE: REVISTA FÓRUM