MST denuncia crimes do agro e propõe reflorestamento e reforma agrária como resposta à crise climática

Fonte: Brasil de Fato

3ª Jornada da Natureza segue até sábado (7), com plantio de 21 toneladas de sementes pelo país

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Matheus Mendes, da coordenação regional do Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis” no Nordeste, explica como a Jornada da Natureza, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) combina denúncia, reflorestamento e propostas concretas para enfrentar a emergência climática. A terceira edição da iniciativa ocorre até o próximo sábado (7).

“Essa nossa jornada está presente em todo o território nacional onde o MST se organiza. Ela traz a perspectiva concreta de uma série de ações que busca necessariamente expor os crimes ambientais do agronegócio e apresentar para o conjunto da sociedade a reforma agrária popular como essa alternativa concreta em relação à crise climática”, destaca Mendes.

Neste ano, a Jornada Nacional da Juventude Sem Terra se soma à Jornada Nacional em Defesa da Natureza e Seus Povos. Para o MST, é um momento decisivo, tendo em vista que o Brasil sediará a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) em 2025. “Lançar e ampliar a nossa mobilização nacional combina com essa denúncia e essa proposta que está acontecendo dentro da nossa jornada”, diz.

Uma das principais frentes é o reflorestamento. A ação em áreas urbanas, como o entorno do estádio do Corinthians, em São Paulo, é parte desse esforço. “É transversalizar as lutas urbanas junto com as lutas do campo, a partir, obviamente, dos desafios que nos são colocados frente a esse propósito da justiça climática”, afirma o dirigente. Ele cita ainda iniciativas recentes em Recife, que envolvem agricultores e pescadores ligados ao movimento.

Mendes também reforça que a reforma agrária, prevista na Constituição, é uma ferramenta urgente para combater a fome e a crise ambiental. “O MST hoje pauta a reforma agrária popular, que não necessariamente seja apenas para terras e territórios. Queremos condições concretas e materiais de estarmos no campo, produzindo alimentos saudáveis, organizando nossa juventude, tendo acesso à cultura, ao lazer, ao sistema de saúde”, aponta.

A jornada traz a agroecologia como alternativa tecnológica e de sociedade. “Trazemos a perspectiva da agroecologia como sendo a nossa matriz tecnológica, mas, obviamente, transitando enquanto modelo de sociedade”, fala Mendes. Ele destaca o papel dos jovens, das mulheres e dos sistemas agroflorestais nesse processo.

Além disso, o tema da mobilidade urbana aparece como pauta. O MST defende o uso de transporte coletivo, elétrico e acessível. “Que tenhamos também o usufruto dessas tecnologias, e que seja de forma acessível, popular e coerente”, pede. A defesa da tarifa zero, adotada em algumas cidades, está entre os motes do movimento.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira, uma às 9h e outra às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thalita Pires