Fonte: CTB
Calculadora é lançada no dia em que a Câmara deve aprovar isenção para quem ganha até R$ 5 mil
A sociedade civil disponibilizou uma calculadora que indica de forma simples, rápida e anônima o quanto cada usuário será impactado com a mudança do Imposto de Renda. O lançamento ocorre nesta quarta-feira (1º), dia em que a Câmara dos Deputados deve aprovar a nova regra.
Na ferramenta, o usuário insere seus dados de renda e vê imediatamente se passará a economizar e quanto, se nada muda ou pagará mais para a Receita Federal. A Calculadora da Justiça também compara a alíquota efetiva de cada usuário com a dos super-ricos, evidenciando a distorção atual do sistema tributário.
“A discussão sobre justiça tributária costuma ficar restrita a especialistas, mas afeta diretamente a vida de milhões de brasileiros. A Calculadora da Justiça foi criada para tornar esse debate acessível e mostrar, de forma prática, como a reforma pode aliviar muito quem ganha menos e, para isso, cobrar um pouquinho mais de quem tem muito”, diz Gabi Juns, diretora-executiva da Lamparina, uma das entidades responsáveis pela iniciativa que visa traduzir em números um debate considerado técnico e distante.
O Made/FEA-USP, que cuidou da parte técnica do projeto, reforça que a mudança vai beneficiar 10 milhões de brasileiros, sem diminuir o valor arrecadado para o país. Isso porque a isenção será compensada por um aumento de impostos para os 0,06% mais ricos da sociedade.
“A calculadora segue os parâmetros do PL 1087/2025 e tem como objetivo oferecer ao público uma simulação transparente, que ajude a qualificar o debate”, explica Guilherme Klein, professor da Universidade de Leeds e pesquisador associado ao Made-FEA/USP.
A ferramenta não exige cadastro, não coleta nem armazena informações pessoais e não substitui a declaração oficial do Imposto de Renda. Os cálculos são aproximados, baseados nos parâmetros da última versão do PL em tramitação.
A proposta
A Câmara dos Deputados deve ampliar a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês. A proposta também reduz o imposto para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350.
Para compensar a perda de arrecadação, o governo propôs uma alíquota progressiva de até 10% para pessoas físicas com lucros de R$ 600 mil a R$ 1,2 milhão anualmente. O projeto já foi aprovado por uma comissão especial e agora tramita em regime de urgência.
Para ser aprovado, precisa do voto favorável da maioria dos deputados, desde que a maioria absoluta da Câmara (257 parlamentares) esteja presente. Se passar pela Câmara, vai ao Senado e, em seguida, para a sanção do presidente Lula.
Informações: Brasil de fato.