Alta demanda no verão e custos do setor elétrico ajudam a explicar o peso da fatura
Fonte: Revista Fórum
A conta de luz de dezembro chega com uma mudança que deveria trazer algum alívio para os consumidores. A bandeira tarifária passa para a cor amarela, o que reduz o valor adicional cobrado sobre o consumo de energia. Na prática, porém, essa melhora é limitada. A economia média é de cerca de R$5 por residência, valor que dificilmente se sustenta diante do aumento natural do consumo no verão e das condições tarifárias já pressionadas.
Com os verões brasileiros ficando cada vez mais quentes, o consumo de energia com o uso de ventiladores, ar-condicionado, circuladores de ar e chuveiro, pode encarecer a conta de luz, mesmo com o desconto anunciado.
A bandeira tarifária é um instrumento criado para sinalizar o custo de geração de energia. Quando a produção está mais barata, a bandeira fica verde e não há cobrança extra. Quando os custos sobem, entram a amarela ou a vermelha.
Em dezembro, com condições mais favoráveis na matriz elétrica, o país adota a bandeira amarela. O consumidor passa a pagar R$ 1,88 a cada 100 kWh, contra os R$ 4,46 da bandeira vermelha. É uma redução importante nesse item específico, mas que não altera a tarifa base nem interfere no consumo.
E é justamente no consumo que mora a contradição. O verão brasileiro exige mais refrigeração. Ventiladores, geladeiras e cada vez mais aparelhos de ar-condicionado funcionam por mais horas. A temperatura média sobe, o calor chega mais cedo e permanece por mais tempo. Com isso, o gasto energético dispara e qualquer economia proporcionada pela bandeira amarela é rapidamente anulada.
Na ponta do lápis, famílias que consomem mais durante o verão podem ver suas contas aumentarem mesmo em período de bandeira mais barata.
Mesmo com a mudança na bandeira, o custo da energia no Brasil segue elevado devido ao conjunto de encargos do setor elétrico, tributos e subsídios embutidos na tarifa. Um dos principais componentes é a Conta de Desenvolvimento Energético, a CDE, que deve aumentar novamente em 2026. Esse fundo financia diversos programas do setor e é pago diretamente pelo consumidor.
Isso significa que, antes mesmo de ligar o ventilador no verão, o custo base por quilowatt já estará maior. É uma estrutura tarifária que impacta todas as famílias, mas pesa principalmente sobre quem tem menor renda e menor acesso a condições adequadas de moradia.
Os especialistas projetam para esse período uma combinação de fatores que empurram a conta para cima
O verão recente registrou recordes de calor em várias regiões do país. Com mais dias quentes, os equipamentos de refrigeração trabalham por mais tempo.
A previsão de aumento de encargos em 2026 faz com que o preço base da energia suba, independentemente da bandeira tarifária.
Essa junção mais kWh consumidos e uma tarifa mais alta por kWh é o principal responsável pelo salto na fatura.
A bandeira reduz apenas o valor do adicional, mas não controla o ritmo de consumo nem compensa o aumento estrutural da tarifa. Com informações “Proteste”.