Milhares de manifestantes foram às ruas novamente neste domingo: sem anistia, basta de retrocessos!

Fonte: CSP Conlutas

O domingo (14) foi novamente um dia de protestos de norte a sul do país. Uma semana depois dos atos que levaram manifestantes às ruas contra a escalada de feminicídios e violência machista, ontem milhares de pessoas participaram das manifestações contra o chamado PL da Dosimetria, aprovado pela Câmara dos Deputados.

O projeto reduz as penas dos envolvidos nos atentados golpistas do 8 de Janeiro e beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e o núcleo militar e político condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), condenados e presos por tentar impor um golpe de Estado para instalar um governo autoritário e atacar as liberdades democráticas no país.

Mas, além disso, o texto também altera regras da Lei de Execução Penal e facilita a progressão de regime em crimes violentos, abrindo brechas perigosas e servindo a interesses se organizações criminosas e milícias.

Protestos nas capitais e diversas cidades

Nas capitais, os atos reuniram milhares de manifestantes, com destaque para atos gigantes no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. Mas Belém, Fortaleza, Natal, Salvador, Porto Alegre, João Pessoa, entre outras, também foram palco de fortes protestos. Cidades também registraram mobilizações, como Campinas, Juiz de Fora, entre outras.

 “Sem anistia para golpistas”, “Congresso inimigo do povo”, “Fora Hugo Motta” foram algumas das principais palavras de ordem e frases em faixas e cartazes nos protestos, expressando a revolta popular com a tentativa de garantir impunidade aos golpistas e a esse Congresso dominado pelo Centrão, pela extrema direita e parlamentares alinhados aos interesses do agronegócio e das elites.

Amplo repúdio a ataques e retrocessos

Mas as ruas também mostraram que a revolta não se limita a um único ataque. O PL da Dosimetria é visto como parte de um pacote mais amplo de retrocessos. Por isso, as mobilizações também incorporaram pautas como a defesa do fim da escala 6×1, o combate à violência contra as mulheres, o repúdio ao Marco Temporal e a defesa da demarcação das terras indígenas e a denúncia contra outras arbitrariedades, como reformas neoliberais que atacam direitos.

“O que a gente viu nesse domingo é um sentimento que está crescendo, de indignação com o que tem acontecido no país. O Congresso quer garantir impunidade a quem tentou um golpe autoritário. Ao mesmo tempo, os parlamentares e os governos avançam contra os povos indígenas e o meio ambiente, não investem recursos para um real combate à violência machista, se negam a atender pautas dos trabalhadores como o fim da escala 6×1 e vários outros ataques”, avalia a integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Rosália Fernandes, que é servidora da Saúde em Natal (RN) e esteve presente no ato na capital potiguar.

“Nós, da CSP-Conlutas, defendemos que é a luta nas ruas, nos locais de trabalho, estudo, enfim, a mobilização direta, com total independência de todos os governos, que podemos deter todos esses ataques”, concluiu.