Investimento total chega a R$ 4,8 bilhões para garantir acesso rápido e especializado na rede pública de saúde
Fonte: Revista Fórum
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quarta-feira, 7 de janeiro, do anúncio da Rede Nacional Agora Tem Especialistas de Hospitais e Serviços Inteligentes de medicina de alta precisão. O investimento total previsto é de R$ 4,8 bilhões para garantir acesso ágil e especializado no Sistema Único de Saúde (SUS), com uso de Inteligência Artificial, telemedicina e conectividade. “Precisamos garantir que o povo mais humilde não seja invisível”, defendeu Lula, durante a cerimônia em Brasília.
Dentro dessa iniciativa, foi assinado contrato de US$ 320 milhões (cerca de R$ 1,7 bilhão) com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do BRICS, para a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI), que fará parte do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). O ITMI será o primeiro hospital inteligente público do SUS voltado para urgência e emergência e integrará a Rede Agora Tem Especialistas, servindo como modelo nacional de assistência totalmente digital para o Brasil e para os países do BRICS.
O investimento total no ITMI será de R$ 1,9 bilhão, incluindo R$ 110 milhões do Governo do Brasil e R$ 55 milhões do Governo de São Paulo, em recursos adicionais.
Ao destacar o impacto da iniciativa, Lula afirmou que os hospitais inteligentes vão ampliar e qualificar os serviços prestados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Significa que a gente vai ter hospitais que vão prestar esse serviço com ambulâncias e UTIs preparadas”, disse. “Esse hospital inteligente e a recuperação da imagem que o SUS conquistou no Brasil, depois de sua participação para salvar gente com relação à Covid-19, deu a legitimidade que a gente já sabia que ele tinha quando o criamos”, afirmou.
O presidente ressaltou que as políticas públicas de saúde precisam priorizar a população mais vulnerável e assegurar que ninguém fique invisível. “A verdade nua e crua é que nós precisamos garantir que o povo mais humilde não seja invisível, tem que ser olhado. É para eles que a gente governa, é em função deles que nós temos que melhorar as coisas. Agora ele precisa ter acesso àquilo que a inteligência pode afirmar para ele melhorar de vida”, disse.
MEDICINA INTELIGENTE — Com previsão para ser inaugurado em 2029, o ITMI realizará atendimento com foco em urgência e emergência, assistência especializada em medicina de emergência, terapia intensiva e neurologia. Serão 800 leitos: 250 de emergência, 350 unidades de UTI e 200 de enfermaria em geral, com capacidade para tratar cerca de 190 mil pacientes internados anualmente. Também estão previstas 25 salas cirúrgicas para a realização de 27 mil cirurgias por ano.
Viabilizado em tempo recorde, o financiamento foi garantido após articulações do Ministério da Saúde junto ao NDB e autorização concedida, após aprovação da Comissão de Financiamentos Externos (COFIEX), do Ministério do Planejamento e Orçamento, em apenas seis meses. Isso representa uma redução de quatro vezes do prazo médio desse processo.
TRANSFORMAÇÃO — A presidenta do NBD, Dilma Rousseff, ressaltou que o projeto coloca o Brasil em sintonia com as grandes transformações tecnológicas na área da saúde. “Desenvolvimento, hoje, significa necessariamente o acesso à tecnologia. É combinar a vida e a inteligência como as duas forças que mudarão a estrutura tecnológica do mundo. Como todas as outras ondas que ocorreram no passado, desde a máquina a vapor, passando por todas as demais, essa é uma onda que, para nós, é fundamental que nós participemos. É mais do que um hospital, é a gente acessar o que há de mais moderno em tecnologia no mundo”, destacou.
TECNOLOGIA EM SAÚDE — A cooperação com o Banco do BRICS garantirá impulso à rede mais inovadora de atenção especializada do Brasil. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o novo projeto marca a entrada definitiva do SUS na fronteira tecnológica da saúde. “É o SUS entrar de vez na nova fronteira tecnológica que está acontecendo no mundo. A gente vai fazer com que chegue primeiro no SUS, liderar essa incorporação tecnológica aqui no Brasil”, disse o ministro da Saúde.
Ele explicou que os hospitais inteligentes vão utilizar tecnologia de ponta, conectividade e inteligência artificial para transformar o atendimento. “São hospitais que utilizam da mais alta tecnologia de informação e da inteligência artificial, da conexão dos seus equipamentos, utilizando uma rede que se sustenta, a internet consegue garantir essa conexão, que permite você fazer atendimentos à distância, monitoramento à distância, o uso da inteligência artificial para acelerar os diagnósticos”, ressaltou Padilha.
UNIVERSALIDADE — O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou princípios do SUS, como a universalidade, a integralidade, a equidade e a atenção humanizada. “O que nós vemos hoje é a tecnologia chegando, não para substituir esses princípios, mas para dar escala e precisão nesse atendimento do SUS. Na universalidade, com conectividade, chegando aos rincões mais distantes desse país. Se nós conseguirmos levar essa medicina de ponta às regiões mais distantes, nós vamos atender ainda melhor a nossa população”, afirmou Alckmin.
TECNOLOGIAS INOVADORAS — O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente também abrigará um Centro Nacional para Pesquisa Translacional e Inovação com foco em medicina de precisão, ciência de dados em saúde, algoritmos clínicos, validação de dispositivos médicos e avanços tecnológicos.
Entre as novidades estão: agendamento baseado em Inteligência Artificial (IA) para otimizar as consultas e o uso de recursos; triagem de pacientes automatizada e orientada por IA para uma resposta de emergência mais rápida; ambulâncias com tecnologia 5G para monitoramento em tempo real de informações vitais dos pacientes e cuidados pré-hospitalares mais rápidos; tecnologias avançadas como cirurgia robótica, medicina de precisão e análise de dados de saúde por IA das operações hospitalares; entre outras.
“Esse é um projeto que não podia deixar de gerar frutos para o futuro do país, que apontam para um novo SUS: mais inteligente, mais conectado. Afinal de contas, tecnologia e inteligência artificial têm que ter esse bom uso, não é o uso do ódio, o uso do mal feito”, afirmou Dario Durigan, ministro da Fazenda substituto.