Absurdo: Quase 366 mil brasileiros vivem nas ruas. Saída é a luta coletiva por moradia

Fonte: CSP Conlutas

Os brasileiros que vivem em situação de rua já são quase 366 mil. Os números são do levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Segundo o estudo divulgado na quarta-feira (14), em dezembro de 2025, foram registrados 365.822 mil pessoas vivendo nas ruas. São quase 38 mil pessoas a mais do que foi registrado em dezembro de 2024.

O levantamento foi feito com base no CadÚnico (Cadastro Único de Programas Sociais), que reúne os beneficiários de políticas sociais e serve como indicativo das populações em vulnerabilidade para quantificar os repasses do governo federal aos municípios.

De forma contraditória, a Região Sudeste – a mais rica do país, concentrando 53% de toda a riqueza produzida no Brasil – é a que reúne o maior número de sem tetos. Ao todo, são mais de 222 mil. 

Só no estado de São Paulo estão concentradas 150.958 pessoas em situação de rua. Na sequência vem os estados do Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O Amapá é o estado com o menor número de pessoas nessa condição, somando 292.

Luta por moradia

Diante deste cenário, o fortalecimento da luta pelo direito à moradia digna ganha ainda mais importância. Na CSP-Conlutas, o Luta Popular é o representante desta demanda social, organizando ocupações.

Vanessa Mendonça, liderança da entidade e moradora da Ocupação dos Queixadas, em Cajamar (SP), acredita que há diversos fatores para o aumento das pessoas em condição de rua, no último período.

“O fator econômico, desemprego, ausência de políticas públicas efetivas de moradia e principalmente o aumento da especulação imobiliária, que elevam os valores de unidades habitacionais e os aluguéis bem acima do que o trabalhador pode pagar”, explica.

“Justamente por conta da especulação imobiliária e projetos de higienização dos grandes centros, as pessoas não vêem outra alternativa que não ocupar imóvel ou terreno sem função social”.

Estado joga contra

Vanessa também afirma que, além da falta de política públicas, os governos também investem na repressão contra as ocupações, o que necessariamente faz com que o número de pessoas nas ruas aumente.

“O que mais dificulta a permanência é a ameaça de violência do estado, que só aparece quando é pra mandar trator ou polícia pra criminalizar e reprimir homens,mulheres, crianças e idosos”, argumenta Vanessa.

“Infelizmente, também enfrentamos inúmeros projetos de lei que estão em tramitação no Congresso e em prefeituras, que retiram benefícios básicos para quem ocupa, além de criminalizar cada dia mais o povo”.

Saída é a mobilização

As experiências de ocupação e autogestão desenvolvidas pelo Luta Popular comprova que a saída para os trabalhadores, que estão sob a ameaça de morar na rua, segue sendo a luta coletiva.

“O povo tem muita sabedoria, para construir e gerir o próprio espaço. Muitas das vezes não sabemos disso, porque a gente sempre está ocupado demais em trabalhar e sobreviver”, explica Vanessa.

“O Luta Popular, surge como uma ferramenta pra juntar as forças do nosso povo e com isso experimentar experiências coletivas. Sabemos que somente com a organização dos debaixo, vamos derrubar os de cima e ter tudo aquilo que a burguesia e o capitalismo rouba da gente”, conclui.