O que é envelhecimento ativo e por que ele importa para a saúde

Atividade física, cuidados com a mente, laços sociais e vacinas são alguns dos caminhos para envelhecer bem. Entenda como conquistar um envelhecimento ativo

Fonte: Portal Dr. Drauzio Varella

Envelhecimento ativo não significa apenas continuar trabalhando ou praticar atividade física. Isso também faz parte do conceito, mas ele é mais amplo. Significa manter a funcionalidade mesmo com o passar dos anos, isto é, ter as próprias vontades e ser capaz de executá-las.

Do ponto de vista prático, cerca de 30% a 40% da forma como as pessoas envelhecem depende da genética e do ambiente em que vivem. A maior parte, entre 60% e 70%, acontece de acordo com as escolhas feitas ao longo da vida.

Não fumar, beber pouco ou não consumir bebidas alcoólicas, praticar atividades físicas regularmente, ter uma alimentação saudável, controlar as doenças que porventura apareçam, visitar o médico regularmente, reduzir o estresse, dormir bem, ter bons relacionamentos sociais e manter o senso de propósito são alguns dos hábitos que aumentam as chances de um envelhecimento saudável.

Exercício físico: o primeiro da lista

Em ordem de importância, os exercícios físicos ocupam o primeiro lugar quando o assunto é longevidade. Em regiões onde há muitas pessoas que vivem bastante, uma das características observadas é que o tipo de vida levado favorece o movimento. São indivíduos que se sentam no chão para fazer as refeições, trabalham no campo e caminham muito.

Em metrópoles, no entanto, os hábitos favorecem o sedentarismo – há carros, controle remoto e aparelhos que funcionam por comando de voz. Por isso, incluir uma atividade física estruturada, como aquela pensada por um personal trainer, substitui a falta de movimento na rotina. 

“Ouvimos muito: ‘Ah, mas já estou velho para atividade física, meu tempo já passou’. Isso não é verdade. Em qualquer momento que se inicia a atividade física, os benefícios chegarão”, destaca Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Em relação à modalidade, a dica é combinar atividades aeróbicas (como caminhada, natação e dança), de flexibilidade (como alongamento e ioga) e de força (como musculação e pilates).

Se a mente não vai bem, o corpo também não vai

Também é importante considerar o aspecto emocional. Hoje em dia, vivemos rodeados de informações, com poucos momentos para desconectar e uma carga de estresse acentuada. 

“Isso tem feito a população envelhecer com depressão e ansiedade muito intensos, o que acaba sendo um grande fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças, como as demências, que interferem na autonomia e independência. Quando estamos desequilibrados emocionalmente, adoecemos mais, seja por questões infecciosas ou pelo surgimento do câncer e de doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson”, relaciona o geriatra.

Ele explica que o cuidado, nesses casos, não se baseia apenas na psicoterapia, que pode não ser acessível para parte da população. O uso de medicamentos, a prática de exercícios físicos, o lazer, o trabalho e as terapias complementares, como meditação, acupuntura e massagem, também ajudam a manter a saúde mental em dia. 

O acompanhamento realizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do SUS oferece gratuitamente atendimentos individuais, em grupo, acompanhamento multiprofissional e ações comunitárias.

Por que os amigos importam tanto nessa fase?

Além do equilíbrio entre a saúde física e mental, é preciso se atentar para a socialização. É claro que existem pessoas que querem ter grupos grandes de amigos e outras que preferem uma ou duas pessoas, mas nada muda o fato de que as conexões interpessoais são importantes. Com o envelhecimento, porém, muitos falecem ou tomam rumos de vida que levam a um afastamento, incluindo os próprios familiares. 

“A conexão precisa ser muito bem construída e trabalhada para que se mantenha. Manter um bom ciclo sociofamiliar é fundamental para que consigamos envelhecer bem do ponto de vista interpessoal, mas também para a possibilidade de precisar de ajuda. É comum nas fases mais avançadas da vida precisarmos de ajuda, e essa ajuda virá daqueles que estão mais próximos: nossos familiares e amigos”, explica o dr. Leonardo.

A dica é manter amizades antigas e tentar frequentar novos espaços, onde será possível conviver com pessoas diferentes. Busque atividades que lhe façam bem, como ir a um salão de dança, um clube do livro ou um curso de costura, e interaja com quem estiver ao seu redor.

envelhecimento ativo
Arte: Janaína Esmeraldo

 

Prevenção e controle de doenças 

Manter o acompanhamento médico regular é outro fator fundamental para o envelhecimento ativo, pois o profissional indica quais exames são necessários para descobrir doenças precocemente e quais estratégias podem ser aplicadas para preveni-las.

“Vamos aferir a pressão, verificar o colesterol no sangue, mas também procurar saber como está a saúde mental, conversar sobre vacinas, sobre atividade física, falar de álcool, cigarro e outras drogas. O acompanhamento médico regular consegue trazer esses benefícios, inclusive ajudando nas escolhas de vida que serão mais saudáveis”, detalha o especialista.

A vacina entra nesse contexto erradicando doenças que matavam ou prejudicavam a qualidade de vida das pessoas. O movimento antivacina, que se fortaleceu no Brasil nos últimos anos, ocasionou o retorno de algumas dessas doenças, por isso é fundamental manter o calendário de imunização sempre atualizado.

Arte: Janaína Esmeraldo

O geriatra afirma ainda que muitas pessoas atribuem qualquer incômodo à velhice. Sentir-se triste, cansado ou com dores não é normal e muitas dessas situações podem e devem ser tratadas.

“Simplesmente deixamos de oferecer o melhor cuidado, o melhor tratamento para a pessoa idosa, porque existe um preconceito de que aquilo que está acontecendo faz parte do envelhecimento normal, o que não é verdade. Costumo dizer que um dos maiores problemas que vejo, um dos maiores desafios para o envelhecimento bem-sucedido, também tem relação com a falta de educação gerontológica, a falta de ensinamento em todas as gerações de como envelhecer, o que vamos enfrentar quando envelhecermos. Porque envelhecer é um grande privilégio. Todo mundo, no fim das contas, espera envelhecer. A única chance de não envelhecer é morrer cedo”, pontua Leonardo Oliva.

Conteúdo produzido em parceria com Tena Brasil, marca líder em produtos para incontinência urinária.