A hipertensão arterial também apresentou crescimento no período analisado, com alta de 31%; em ambos os casos, o aumento foi mais acentuado entre as mulheres
FONTE: JORNAL GGN
A proporção de adultos brasileiros diagnosticados com diabetes mais que dobrou nas últimas quase duas décadas, passando de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024 — um aumento de 135%. Os dados constam do Vigitel 2025, levantamento do Ministério da Saúde divulgado nesta quarta-feira (28), no Rio de Janeiro.
Segundo a diretora do Departamento de Vigilância de Doenças Não Transmissíveis do ministério, Letícia Cardoso, o avanço representa um alerta para a necessidade de ampliar ações de prevenção e cuidado, mas também reflete o aumento do acesso ao diagnóstico da doença.
A hipertensão arterial também apresentou crescimento no período analisado, com alta de 31%. A prevalência passou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024.
O levantamento mostra ainda avanço expressivo da obesidade e do excesso de peso entre os brasileiros. A taxa de obesidade, definida pelo índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, subiu de 11,8% para 25,7% no intervalo de 18 anos, aumento de 118%. Já o excesso de peso, considerado a partir de IMC de 25, passou de 42,6% para 62,6%, crescimento de 47%.
Em ambos os casos, o aumento foi mais acentuado entre as mulheres. A prevalência de obesidade feminina avançou de 12,1% em 2006 para 26,7% em 2024, enquanto o excesso de peso passou de 38,5% para 60,6% no mesmo período.
Os dados fazem parte do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que monitora anualmente indicadores de saúde da população adulta nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.
Em relação aos hábitos alimentares, o consumo regular de frutas e hortaliças cinco dias por semana ou mais apresentou leve queda entre 2008 e 2024, passando de 33% para 31,4%. Nos dois últimos anos da série, porém, houve pequena recuperação, com aumento de 14,3% em 2023 para 16,2% em 2024.
Por outro lado, o consumo frequente de refrigerantes e sucos artificiais caiu de forma significativa. A proporção de adultos que consomem essas bebidas cinco dias por semana ou mais passou de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024. A redução foi observada em ambos os sexos, com maior destaque entre os homens.
O levantamento também identificou mudanças nos padrões de atividade física. A prática de deslocamento ativo, como caminhar ou pedalar para ir ao trabalho, diminuiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Já a prática de atividade física moderada no tempo livre, ao menos 150 minutos semanais, cresceu de 30,3% para 42,3% no mesmo período.
Pela primeira vez, o Vigitel incluiu dados sobre qualidade do sono. Segundo a pesquisa, 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, e 31,7% relataram sintomas de insônia. O problema é mais frequente entre mulheres, com prevalência de 36,2%, contra 26,2% entre homens.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os dados sobre o sono são preocupantes. “Poucas horas de descanso e um sono de baixa qualidade estão diretamente relacionados ao ganho de peso, à obesidade, à piora de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, além de impactos na saúde mental”, disse.
Padilha destacou que o avanço das doenças crônicas tem causas multifatoriais. Segundo ele, apesar de indicadores positivos, como a redução no consumo de refrigerantes e o aumento da prática de exercícios, essas mudanças ainda não foram suficientes para conter o crescimento das enfermidades. “À medida que o Brasil envelhece, aumenta o número de pessoas com hipertensão e diabetes, elevando o risco. Por isso, precisamos ampliar políticas de cuidado, promoção da saúde e prevenção”, afirmou.
Durante o evento, o ministro lançou a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde e à melhoria da qualidade de vida. O programa prevê investimentos de R$ 340 milhões em políticas de estímulo à atividade física, incluindo a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026.
Atualmente, o país conta com 1.775 unidades da Academia da Saúde, e a expectativa do governo é credenciar mais 300 até o fim de 2026. O Viva Mais Brasil estabelece dez compromissos, entre eles incentivo à vida ativa, alimentação saudável, redução do consumo de tabaco e álcool, fortalecimento da saúde nas escolas, combate às doenças crônicas, ampliação da vacinação, saúde digital, cultura da paz e práticas integrativas.
Padilha afirmou que a iniciativa busca reforçar o papel preventivo do Sistema Único de Saúde (SUS). “Uma boa saúde começa com prevenção e promoção. Queremos criar um movimento que envolva as mais de 100 mil equipes da atenção primária e diferentes áreas do governo para garantir mais qualidade de vida à população”, disse.
Questionado sobre o uso de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade no SUS, o ministro afirmou que a Organização Mundial da Saúde reconhece a importância dessas tecnologias, mas destaca o alto custo como principal obstáculo. Segundo ele, o governo brasileiro seguirá a orientação da OMS para ampliar o acesso e estimular a produção nacional.
O Ministério da Saúde informou que solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a abertura de um edital de chamamento público para empresas interessadas em registrar e produzir uma dessas medicações no país, cuja patente expira em março. A expectativa é aumentar a concorrência e reduzir os preços praticados atualmente no mercado.