Estudo do INEEP mostra que margens de distribuição concentram a maior parte do valor do GLP e indicam espaço para queda no preço ao consumidor
Fonte: Jornal GGN
O projeto Gás do Povo apresentado pelo governo federal é uma proposta para enfrentar o preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), um dos principais fatores de pressão sobre o custo de vida das famílias, ao partir do pressuposto de que existe espaço para redução do preço ao consumidor final, especialmente por meio de mudanças na estrutura de comercialização e distribuição.
Dados do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP) mostram que, entre 2021 e 2025, a composição do preço do GLP no Brasil passou por uma mudança significativa: após o fim da política de Preço de Paridade de Importação (PPI), em maio de 2023, o valor do gás produzido no país caiu de forma expressiva, enquanto as margens de distribuição e revenda continuaram a crescer
Em abril de 2023, mês anterior ao encerramento do PPI, o preço do produtor representava 39,8% do valor final do botijão de 13 quilos, enquanto a margem de distribuição e revenda correspondia a 45,1%.
Em dezembro de 2025, a situação se inverteu de forma mais acentuada: a margem de distribuição e revenda passou a responder por 51,1% do preço final, enquanto o valor do produtor caiu para 35,2%
Na prática, isso significa que o produtor reduziu o preço do GLP em cerca de 25,1% no período, enquanto a margem do setor de distribuição e revenda aumentou 3,7% em termos reais – segundo o Ineep, esse descompasso é o principal argumento técnico que sustenta o projeto Gás do Povo: o problema do preço do gás não está na produção, mas na intermediação.
O instituto destaca que a proposta busca justamente enfrentar esse gargalo, defendendo mecanismos que ampliem o papel do Estado na regulação do mercado de GLP, aumentem a transparência na formação de preços e permitam políticas públicas voltadas à moderação das margens de distribuição.
O objetivo central é garantir que a redução dos custos na origem chegue, de fato, ao consumidor final — especialmente às famílias de baixa renda, mais vulneráveis à inflação de itens essenciais.