Fonte: CSP Conlutas
O Congresso entra em recesso no dia 18 de julho, mas se já nos últimos dias o ritmo de trabalho na Câmara e no Senado estava em marcha lenta, nesta semana sequer há votações previstas. Em meio às festas juninas e aos jogos da Copa do Mundo, deputados e senadores reduziram a agenda legislativa e adiaram votações que afetam diretamente milhões de brasileiros.
Em contrapartida, diversos parlamentares e lideranças políticas têm utilizado as redes sociais para registrar presença em festas juninas pelo país ou acompanhar partidas de futebol. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por exemplo, apareceu em eventos festivos no Norte do país. Já o senador Romário, por sua vez, está fazendo bico na cobertura e como comentarista da CazéTV nos jogos da Copa. O deputado Nikolas Ferreira foi aos EUA assistir jogos da Copa e ainda ironizou as críticas que recebeu.
Enquanto isso…
Enquanto deputados e senadores suspendem votações por conta de compromissos festivos e eventos esportivos, milhões de trabalhadores seguem enfrentando uma realidade completamente diferente. Quem trabalha no comércio, nos serviços, na indústria, nos hospitais, nos transportes e em tantos outros setores não teve a opção de interromper suas atividades para acompanhar a Copa ou aproveitar as festas juninas.
A maior parte da população continua acordando de madrugada, enfrentando ônibus, trens e metrôs lotados, cumprindo jornadas exaustivas e, em muitos casos, submetida à escala 6×1, cujo fim está travado no Senado, pois o presidente Davi Alcolumbre se nega a enviar o texto para votação.
Para a próxima semana, há previsão é que a direção das Casas irá organizar um “esforço concentrado” antes do recesso parlamentar, para votar matérias. Mas, até agora a PEC da escala 6×1 não está na lista. Porém, a PEC que amplia a autonomia do Banco Central está. Ou seja, seguem emplacando temas de interesses do setor financeiro e do empresariado, enquanto a principal reivindicação da classe trabalhadora brasileira pode seguir engavetada.
Ir às ruas no dia 30/6 e construir uma greve geral
Não será pela via institucional e com acordões do governo Lula e o Congresso que vamos arrancar essa conquista. No último dia 15, em mais um acordo com Hugo Motta, o governo Lula retirou a urgência do PL 1838 que prevê o fim da escala 6×1, enfraquecendo a pressão pelo fim dessa famigerada escala.
Com o regime de urgência, após votação pelos deputados, o PL 1838 também iria para o Senado com prazo de até 45 dias para ser apreciado. Uma forma de pressionar Alcolumbre. Agora, no entanto, a tramitação desta reivindicação fundamental para os trabalhadores segue à mercê da decisão de Davi Alcolumbre, que está alinhado aos interesses dos setores empresariais que são contra a redução da jornada.
O Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) está convocando o dia 30 de junho como um dia nacional de protestos.
Além das mobilizações no dia 30/6, a CSP-Conlutas defende que é preciso construir uma forte Greve Geral e faz o chamado às demais centrais.
É preciso intensificar a pressão e colocar em prática uma escalada na mobilização para arrancar a aprovação do fim da escala 6×1 e a redução da jornada, sem transição e sem flexibilização de direitos.