Resolução Correios: Defesa dos direitos e mobilização nacional contra privatização

Fonte: CSP Conlutas

A Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, reunida em 17 e 18 de julho últimos, aprovou resolução sobre a luta dos trabalhadores dos Correios que entram em campanha salarial, contra a precarização do trabalho e a privatização da ECT (Empresa de Correios e Telégrafos)

Leia texto na íntegra:

Resolução sobre Correios

Considerando que:

Depois da vitoriosa greve nacional de Correios do ano passado, unificada com os petroleiros, o governo Lula segue atacando os direitos conquistados nas lutas. O governo recorreu ao STF suspendendo as principais cláusulas do acordo coletivo da categoria, com um programa de privatização chamado de Reestruturação dos Correios, que nada mais é do que o desmonte da ECT como empresa pública e patrimônio do povo brasileiro.

Considerando que começou a Campanha Salarial-2026 e a campanha salarial 2025 ainda não foi encerrada devido a intervenção do governo junto ao STF, onde o calendário de lutas aprovado nas assembleias da categoria aponta uma nova greve nacional unificada para o dia 15 de setembro.

Considerando, ainda, que por sua vez, a direção da ECT busca a burocracia sindical identificada na maioria das direções das Federações e Sindicatos, para uma política claramente colaboracionista com seu programa privatista de “Reestruturação”, que inclui um Programa de Demissões, fechamento de agências e venda de imóveis públicos. Enquanto isso, a burocracia sindical atende ao chamado patronal, desviando a atenção das lutas, para credenciar seu apoio ao governo Lula, diante do processo eleitoral que está em curso.

Considerando que os Correios atravessam o mais profundo processo de reestruturação administrativa de sua história. Em poucos meses, a atual gestão promoveu o fechamento de centenas de unidades, extinguiu mais de 700 funções de quebra de caixa dos atendentes comerciais, implantou um novo PCS voltado ao cargo amplo na área operacional, ampliou a utilização da ferramenta SDDs, que acelera a substituição do carteiro a pé, praticamente extinguiu o teletrabalho na área administrativa, promoveu o encerramento de turnos de tratamento de cartas e alterou profundamente o modelo de assistência à saúde dos trabalhadores, com a centralização do atendimento e o descredenciamento da rede da Postal Saúde.

Essas medidas se somam aos ataques acumulados ao longo das últimas décadas como o PCCS de 2008, o cargo amplo, o PostalPrev, a Postal Saúde, a retirada de cláusulas do ACT e as tentativas de privatização da empresa e demonstram que está em curso um projeto de privatização dos Correios. Trata-se de um processo que reduz a estrutura da empresa pública, precariza as condições de trabalho, enfraquece o atendimento à população e entrega para iniciativa privada a principal arrecadação das agências para as AGFs e outras empresas privadas.

Tomadas em conjunto, essas medidas revelam que não se trata de mudanças administrativas isoladas, mas de um amplo processo de reestruturação que altera profundamente o modelo de funcionamento dos Correios, reduz a presença da empresa pública, modifica direitos e condições de trabalho e produz impactos diretos tanto para os trabalhadores quanto para a população que depende dos serviços postais.

Diante desse cenário, a RCN da CSP-Conlutas, RESOLVE:

É fundamental fortalecer a organização a mobilização e a unidade da categoria em defesa dos Correios públicos, de qualidade e manter os direitos dos trabalhadores e do serviço postal universal, assim como aprovar em nossa coordenação e todas entidades filiadas apoio total ao calendário de luta e mobilizações aprovado nas assembleias da categoria de correios para juntos, com chamado à unificação com as demais categorias que também tem lutas e campanhas salariais neste segundo semestre de 2026, conseguirmos uma grande vitória em nossa campanha salarial e para barrar o projeto Privatização dos Correios de Lula e Rondom.

São Paulo, 18 de julho, de 2026