Manifesto assinado por nove ex-titulares da pasta declara apoio à reeleição de Lula
Fonte: Brasil de Fato
Nove ex-ministros da Saúde assinaram um manifesto de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em que criticam a condução da pandemia de covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) e os riscos de retrocessos se Flávio Bolsonaro for eleito.
O documento menciona mais de 700 mil mortes pela doença no Brasil e denuncia o negacionismo científico, a demora na vacinação e o colapso de serviços de saúde, além de apontar desmantelamento de políticas públicas durante a gestão bolsonarista.
Entre as críticas, os signatários destacam a substituição de ministros com experiência na área por um militar sem formação em saúde, em referência ao general Eduardo Pazuello, que comandou o Ministério da Saúde entre 2020 e 2021.
O manifesto afirma que o conhecimento científico deu lugar à “obediência cega” e recorda a resistência do então presidente à aquisição de vacinas, além da falta de oxigênio em hospitais e de declarações de Bolsonaro que desrespeitaram as vítimas da covid-19.
“Medidas de prevenção foram alvo de ataques e zombaria. Pessoas deixadas para morrer sem oxigênio. Quem chorou a perda de parentes e amigos foi chamado de ‘maricas’”, pontua o documento.
Os ex-ministros também apontam problemas que, segundo eles, ultrapassaram o período da emergência sanitária. O texto menciona a perda do certificado de país livre do sarampo, a queda da cobertura vacinal infantil e a redução do alcance do Farmácia Popular durante o governo Bolsonaro.
“Um sistema de saúde não acaba de uma vez. Acaba quando a mãe volta do postinho sem a vacina, quando o remédio deixa de ser de graça. O Brasil já viu isso, não podemos deixar que se repita”, pontua um trecho do documento.
O documento sustenta que, desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023, houve avanços na reconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os exemplos citados estão a recuperação da cobertura vacinal infantil, a retomada do reconhecimento internacional do Brasil como país livre do sarampo, a ampliação do Farmácia Popular e a expansão do Mais Médicos.
“O Brasil não pode retroceder nessas conquistas. Para destruir todo esse esforço coletivo de médicos, enfermeiros e servidores, muitas vezes basta uma canetada. Quem já dependeu do SUS para conseguir tratamento, quem vacinou um filho, quem aplaudiu os profissionais de saúde na pandemia, sabe o que está em jogo. Essa memória precisa ser considerada na hora de decidir o voto”, afirma o manifesto.
Os signatários também defendem investimentos em ciência, tecnologia e produção nacional de medicamentos, vacinas e equipamentos. Para eles, a continuidade dessas políticas depende das escolhas eleitorais e da preservação do financiamento público da saúde.
O manifesto é assinado pelo atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha; Nísia Trindade, ministra entre 2023 e 2025; Gilberto Occhi, ministro em 2018, no governo Temer; Marcelo Castro, titular da pasta entre 2015 e 2016; Arthur Chioro, entre 2014 e 2015; José Gomes Temporão, entre 2007 e 2010; José Agenor, entre 2006 e 2007; Saraiva Felipe, entre 2005 e 2006; e Humberto Costa, ministro entre 2003 e 2005.