Simone Tebet defende taxar os mais ricos: “Se isso é esquerda, sou esquerda”

A ministra do Planejamento participou de audiência na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional

FONTE: REVISTA FÓRUM

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, participou nesta terça-feira (8) de uma audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional para discutir o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026.

Em determinado momento da audiência, Simone Tebet defendeu a taxação em 10% para os mais ricos e afirmou que se trata de “justiça tributária”.

“Estamos dizendo para aqueles que não pagam, ou pagam 3% ou 4%, que eles paguem 10%. Se isso não for justiça tributária, se isso for ser de esquerda, eu, que nunca fui de esquerda, tenho que me considerar de esquerda”, declarou Simone Tebet.

A ministra também aproveitou para lembrar que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tirou dinheiro das farmácias populares e não taxou os mais ricos. “No passado, se cortou até dinheiro para ciência, tecnologia, inovação, se tirou dinheiro de farmácia popular, de políticas sociais e nunca se conseguiu mexer no andar de cima, ao qual eu pertenço, muitos de nós pertencemos”, disse.

Haddad detona super-ricos: “a pergunta é, é nós contra eles ou é eles contra nós?”
 

Ministro da Fazenda de Lula, Fernando Haddad expôs a tática dos super-ricos de usar a mídia liberal para fugir do debate sobre a taxação dos super ricos e se vitimizar acusando o governo de dividir o país com o discurso de “nós contra eles”.

“Nós devemos comemorar o fato de que, de novo, nós estamos entre as dez maiores economias do mundo, de novo com o governo Lula, mas nós continuamos entre as dez piores economias do mundo do ponto de vista da igualdade social, da distribuição de renda. Então não é razoável que 1% da população faça esse inferno na internet dizendo que nós estamos colocando nós contra eles”, disse Haddad em entrevista a Igor Gadelha, do site Metrópoles.

Em seguida, o ministro escancarou a cooptação da ultradireita e da mídia liberal para angariar apoio a esse “1%”.

“Nós quem? 99% contra 1%? Como assim? E contra por quê? Se eles não pagam nem o que nós pagamos. Se eles pagassem pelo menos o que nós pagamos, 99%, estava de boa. Mas não, esse 1% não quer pagar nem o que os 99 pagam”, afirmou.

“Então a pergunta é, é nós contra eles ou é eles contra nós? O que está acontecendo no Brasil? Por que esse 1% tem tanta influência no país pagando menos do que os 99? Olha, a gente começa a colocar o dedo nas feridas históricas do Brasil, eu estou falando de feridas de 500 anos, 350 de escravidão. E começam a corrigir, corrigir”, emendou.

Haddad ainda detonou a ligação de Jair Bolsonaro (PL) com as plataformas de apostas online, que o governo quer taxar em 18%, mas enfrenta resistência da bancada ligada ao ex-presidente.

“Nós combatemos os privilégios das bets. O governo anterior tratou as bets como se fossem Santas Casas de Misericórdia. Não cobrou um centavo das bets durante quatro anos. O Bolsonaro, que se diz amante da religião, foi o cara que contribuiu para que o jogo no Brasil tomasse uma dimensão absurda, sem cobrar um centavo das bets”, afirmou.