Servir ao povo e não subestimar sua força

Como parlamentar de primeiro mandato, não escondo minha tristeza com o exemplo do congresso nacional

Fonte: Brasil de Fato

Qual é o dever moral de um servidor público? É servir ao povo, zelar pela coisa pública, defender a Constituição e trabalhar para que a democracia se fortaleça. Mas o que vemos em parte da Câmara dos Deputados é o oposto desse princípio. Parlamentares que deveriam legislar em favor da população legislam em causa própria. Votar para que eles mesmos não possam ser investigados ou presos sem a sua própria autorização parece piada, mas aconteceu. Que fundamento democrático ou constitucional existe nesse absurdo? Nenhum. É apenas a tentativa de blindagem de uma elite política que se recusa a responder por seus atos.

O problema se agrava quando lembramos que o Brasil jamais conseguiu julgar adequadamente os crimes cometidos pelo Estado e por militares durante a ditadura. Agora, como se fosse pouco, vemos deputados tentando conceder anistia para aqueles que depredaram o patrimônio público e quiseram impedir a posse de um presidente eleito. É um escárnio. É uma afronta direta às cidadãs e cidadãos que acreditam na democracia e no futuro deste país.

Como parlamentar de primeiro mandato, não escondo minha tristeza ao ver esse tipo de movimentação. Essas manobras fazem o povo desacreditar na política e no próprio poder legislativo. Mas é justamente por isso que precisamos ser duros com os criminosos de colarinho branco que se escondem dentro do Congresso. Esses que não querem ser investigados nem presos por infrações de trânsito, por corrupção ou até por feminicídio são os mesmos que resistem à consolidação da democracia.

O povo, no entanto, já deu sua resposta. Só em Fortaleza mais de 40 mil pessoas tomaram as ruas para dizer que estão de olho no Congresso Nacional. A pressão popular fez efeito. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, já anunciou que vai enterrar a PEC da Bandidagem. Agora, o mesmo destino precisa ser dado à proposta vergonhosa de perdão aos golpistas. A democracia brasileira não pode ser refém da impunidade. É hora de provar que a política ainda pode ser instrumento de justiça e transformação social.

* Missias do MST (PT), deputado estadual do Ceará.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

Editado por: Camila Garcia