FONTE: CSP CONLUTAS
Movimentos negros e sociais de todo o país organizam para esta sexta-feira (31) uma jornada de mobilizações em resposta à chacina provocada pela chamada “Operação Contenção” realizada pelo governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), na terça-feira (28). A ação deixou mais de 130 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, a mais letal da história não só do estado, mas de todo o país. Há manifestações já agendadas em várias capitais e cidades (confira ao final deste texto).
Os atos têm como eixos centrais a denúncia do genocídio da população negra e periférica no Rio de Janeiro, mas também em todo o país; a exigência do fim das políticas de segurança baseadas na violência policial e racista; justiça para todas as vítimas da violência do Estado e o afastamento imediato do governador Cláudio Castro e da cúpula da PM-RJ.
Convocadas pela Coalização Negra por Direitos, as manifestações também estão sendo organizadas por outros movimentos negros como a Uneafro, MNU, Unegro e outros movimentos sociais. O Quilombo Raça e Classe, filiado à CSP-Conlutas, integra o chamado para transformar em luta, a indignação e o repúdio à política de morte que vem sendo levada à cabo pelos governos.
Ainda ontem (29), protestos simbólicos já ocorreram. No RJ. moradores fizeram um protesto em frente ao Palácio da Guanabara. Em SP, manifestantes da Coalizão Negra por Direitos e da Uneafro fecharam a Avenida 23 de Maio, no centro de São Paulo, com faixas e cartazes que diziam “Tão matando gente preta todo dia”. Os protestos denunciam a escalada da violência de Estado e a cumplicidade da grande mídia com o discurso que justifica as mortes sob o pretexto do “combate ao crime”, instituindo, na prática, a pena de morte (sendo os alvos o povo pobre e preto).
“O massacre é mais um capítulo de um país em guerra racial, de um Estado em guerra contra seu próprio povo”, disse em suas redes sociais o professor e ativista Douglas Belchior. “Se corpos brancos usando drogas fossem mortos em bairros nobres, o Brasil estava parado agora”.
Não é “operação”. É chacina!
Enquanto o governo Cláudio Castro e a imprensa tradicional tentam enquadrar a chamada Operação Contenção como uma ação “contra o tráfico”, os relatos vindos das comunidades desmentem a narrativa oficial. Segundo a Defensoria Pública do RJ são mais de 130 vítimas.
Nesta quarta-feira (29), moradores do Complexo da Penha retiraram mais de 60 corpos da mata, levando os corpos para uma rua da comunidade. Muitos com sinais de tortura e execução, como tiros na nuca, facadas, pulsos amarrados e até decapitação. As vítimas foram retiradas da mata por familiares em cenas de desespero que lembram massacres históricos como o do Carandiru, da Candelária e de Eldorado dos Carajás.
Diversas organizações de direitos humanos denunciaram o governo fluminense à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, apontando que Cláudio Castro é responsável por quatro das cinco operações mais letais da história do Rio. Em nota, entidades como a Anistia Internacional, Conectas Direitos Humanos e Redes da Maré destacaram que a política de “guerra às drogas” é seletiva, racista e ineficaz, servindo apenas para aprofundar a insegurança e o terror nas favelas. O modelo de confronto militarizado, segundo o documento, trata moradores como “inimigos internos” e transforma a morte em mérito policial.
Para movimentos sociais e organizações populares, o massacre é expressão de uma guerra social contra pobres e trabalhadores. “A burguesia quer essa carnificina e tem o apoio da elite do Rio de Janeiro. O trabalhador precisa de educação, saúde, moradia e valorização, não de mais repressão”, afirmou Júlio Condaque, do Quilombo Raça e Classe e da CSP-Conlutas.
Nota do QRC: Chega de chacina, chega de genocídio! Fora Cláudio Castro!
A CSP-Conlutas se soma ao chamado para as manifestações por justiça às famílias vítimas da violência de Estado, o fim da violência policial e a construção de um novo modelo de segurança pública — desmilitarizado, popular e não racista. Basta de chacinas! Fora Cláudio Castro!
BAHIA
Salvador, Praça da Piedade, às 16h
Feira de Santana, em frente à Prefeitura, 17h30
CEARÁ
Fortaleza, Praça da Gentilândia, 17h
Sobral, Boulevard do Arco, 18h
DISTRITO FEDERAL
Brasília, Museu da República 18h
ESPÍRITO SANTO
Vitória, Praça de Itararé, 17h
MARANHÃO
São Luís, na Praça Deodoro (centro), 16h
MINAS GERAIS
Belo Horizonte, Praça Sete, 17h
Juiz de Fora, Rua Halfeld (em frente ao BB), 17h30
PARÁ
Belém, Uepa CCSE (Telégrafo), 17h30
PARANÁ
Curitiba, Concentração na Santos Andrade, 18h
Londrina, Cine Teatro Ouro Verde, 18h
PERNAMBUCO
Recife, Palácio do Campo das Princesas, 16h
RIO DE JANEIRO
Rio de Janeiro, Campo do Ordem Estrada José Rucas, 1202, Complexo da Penha, 13h
Nova Iguaçu, Praça dos Direitos Humanos, 17h
RIO GRANDE DO NORTE
Natal, Shopping Midway, 17h
RIO GRANDE DO SUL
Porto Alegre, Esquina Democrática, 17h
SANTA CATARINA
Florianópolis, Em frente ao TICEN, 17h30
Joinville, Praça Nereu Ramos, 18h
SÃO PAULO
São Paulo, MASP, às 18h
Araraquara, Praça Santa Cruz, 18h
Campinas, Praça da Catedral, 18h
Santos, Estação Cidadania (Avenida Ana Costa, 340) 18h
São José dos Campos, Antiga Câmara Municipal (Praça Afonso Pena), 17h
SERGIPE
Aracaju, Praça Franklin Roosevelt (Bairro América), 17h