O aprendizado contínuo funciona como um treino de resistência mental, garantindo que a mente não se atrofie, mas permaneça ágil
Fonte: Jornal GGN
Enquanto o mundo se torna cada vez mais digital e focado na educação como ferramenta de trabalho, um movimento na Suécia está provando que o desejo de aprender por puro prazer está mais vivo do que nunca entre a terceira idade. Reportagem do The Guardian conta a história da Senioruniversitetet (a Universidade Sênior, em tradução livre), uma instituição nacional voltada para maiores de 55 anos, que registrou números recordes de participação, impulsionada por uma geração que busca manter a mente alerta e combater a solidão através de interações presenciais.
A Senioruniversitetet é como uma academia para o cérebro. Assim como o exercício físico mantém o corpo resiliente ao tempo, o aprendizado contínuo funciona como um treino de resistência mental, garantindo que a mente não se atrofie, mas permaneça ágil e conectada ao mundo ao seu redor.
Fundada em 1991, a Senioruniversitetet opera em colaboração com a instituição de educação de adultos Folkuniversitetet e conta com cerca de 30 filiais independentes pelo país. O modelo é único: a gestão é feita pelos próprios aposentados. Em Estocolmo, a maior filial é administrada por aproximadamente 100 voluntários e suas famosas “palestras de terça-feira” costumam atrair cerca de 1.000 pessoas semanalmente.
Mente ativa contra o preconceito e a solidão
Para muitos participantes ouvidos pelo The Guardian, a universidade é um refúgio contra o etarismo que alguns alunos descrevem como algo latente na sociedade sueca. A instituição é uma das partes remanescentes do sistema de bem-estar social sueco que ainda oferece cursos a taxas relativamente baixas. As disciplinas oferecidas são diversas, abrangendo desde política e medicina até arquitetura e tecnologia. Palestras recentes abordaram temas complexos, como desinformação e IA.
Além do bem-estar individual, a iniciativa desempenha um papel crucial na preservação da democracia. Um dos alunos argumentou que o envolvimento acadêmico ajuda os idosos a olharem criticamente para a avalanche de desinformação atual e o aprendizado e atualização que eles têm na universidade acaba sendo compartilhado com filhos e netos, gerando um efeito cascata nas famílias. Um fato que é importante para a sobrevivência das democracias.
Embora o financiamento governamental tenha diminuído significativamente nos últimos anos, o entusiasmo dos alunos e voluntários sugere que a “fome fantástica por educação” entre os idosos suecos é uma força que continuará a crescer, desafiando estigmas e fortalecendo os laços sociais no mundo real. Leia a matéria completa do The Guardian aqui.