Nota de repúdio às ações conduzidas pelos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela

Fonte: FONASEFE

O Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais (FONASEFE) vem a público expressar seu mais veemente repúdio às ações conduzidas pelos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela, ocorridas em 3 de janeiro de 2026. Os ataques, que envolveram bombardeios em áreas civis e militares, resultaram em mortes e culminaram no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama. Tais atos configuram grave violação dos direitos humanos, do direito internacional e das normas que regem a diplomacia entre Estados soberanos, representando uma afronta inaceitável não apenas à Venezuela, mas aos princípios que sustentam a convivência democrática entre as nações.

O FONASEFE manifesta sua irrestrita solidariedade ao povo e à classe trabalhadora venezuelana, que, assim como os servidores públicos brasileiros, sofre os impactos diretos de políticas que banalizam direitos sociais, fragilizam os serviços públicos e aprofundam desigualdades. Reafirmamos que a construção de sociedades justas e democráticas exige o respeito à soberania nacional, o fortalecimento das instituições públicas e a valorização do trabalho. Exigimos o respeito absoluto à soberania da Venezuela, a libertação imediata das autoridades sequestradas e a retirada das forças militares estrangeiras de seu território.

Como fórum representativo dos servidores públicos federais, reiteramos nossa trajetória histórica em defesa dos serviços públicos como pilares da democracia, da garantia de direitos sociais e da justiça distributiva. A experiência recente no Brasil demonstra que ataques de orientação neoliberal — como reformas administrativas regressivas e cortes de direitos — enfraquecem a capacidade do Estado de responder às necessidades da população, precarizam as condições de trabalho e corroem a confiança nas instituições públicas e democráticas.

Intervenções externas e políticas de imposição econômica não apenas violam a soberania dos povos e dos Estados, como também aprofundam desigualdades, destroem sistemas públicos e colocam em risco a paz regional e global. A extrema direita, ao articular neoliberalismo e neocolonialismo — inclusive em sua dimensão tecnológica —, atualiza velhas práticas de dominação, avançando sobre a última fronteira da barbárie: o desprezo pela vida, pela cidadania e pelo próprio planeta, travestido de narrativas de cruzada civilizatória, ódio étnico e pilhagem.

A ocupação militar na Venezuela não é um episódio isolado de tensão diplomática. Trata-se da expressão de uma disputa geopolítica mais ampla, marcada por interesses estratégicos — especialmente sobre as reservas de petróleo — e pela tentativa de submeter processos políticos internos e a autodeterminação dos povos latino-americanos. Esse movimento reabre precedentes históricos de dominação imperialista, que tantas vezes sangraram as veias da América Latina.

Reafirmamos, portanto, a necessidade urgente de soluções pacíficas e diplomáticas, fundamentadas no respeito ao direito internacional, à autodeterminação dos povos e aos princípios do multilateralismo. A América Latina, historicamente marcada por intervenções externas e projetos de dominação, deve permanecer como zona de paz, onde os conflitos sejam resolvidos pelo diálogo, pelo respeito mútuo e pela cooperação entre as nações.

Pela paz na América Latina.

Pela defesa dos serviços públicos e dos direitos sociais.

Pela autodeterminação dos povos e pela soberania dos Estados.

Brasília, 5 de janeiro de 2026.