Além da folia, pré-carnaval de Fortaleza terá atos organizados por servidores municipais para cobrar reajuste salarial

Categoria quer 12,4% de reajuste salarial. Prefeitura promete resposta até 31 de janeiro

Fonte: Brasil de Fato

Este ano, o Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do Município de Fortaleza (Sindifort) e as demais entidades que compõem a Frente Sindical das Entidades Representativas dos Servidores e Empregados Públicos Municipais de Fortaleza (Fersep-For) irão participar do pré-carnaval de Fortaleza de uma forma diferente, cobrando reajuste e demais pautas da campanha salarial de 2026 dos servidores municipais. Nos dias 17, 24 e 31 de janeiro e 7 de fevereiro, os sindicatos realizarão mobilizações na Praia de Iracema com o bloco “Reajusta Aí!”. Na ocasião, será montada uma tenda na avenida Raimundo Girão, na altura do Ideal Clube.

Augusto Monteiro, secretário-geral do Sindifort e também da Intersindical Central da Classe Trabalhadora, faz alguns apontamentos sobre a importância dessa ação.

Em primeiro lugar, ele destaca que essa iniciativa tem como um dos objetivos mobilizar os servidores para a luta da Campanha Salarial 2026, “porque a gente entende que, para conseguir avançar na pauta, é preciso intensificar a luta e estar mobilizado. Essa é uma das ações, mas teremos várias outras”. O segundo ponto é dialogar com a sociedade sobre a importância do serviço público e sobre a desvalorização que os servidores vêm enfrentando. “As condições de trabalho, os ataques que sofremos no cotidiano com a precarização a partir das novas organizações do mundo do trabalho, terceirização, pejotização, enfim”. Por último, a mobilização busca pressionar a gestão municipal para que possa, efetivamente, negociar a pauta e apresentar uma proposta ou acordo para o atendimento das reivindicações, apresentadas ainda em novembro do ano passado.

O que reivindicam os servidores?

Com relação ao reajuste salarial, a reivindicação é de reajuste geral a partir de janeiro de 2026, a ser aplicado nas remunerações dos servidores e empregados públicos, considerando a inflação consolidada de 2025, somada ao reajuste não concedido em 2021 e ao percentual de 3,0% referente ao aumento da contribuição previdenciária decorrente da reforma da Previdência, ocorrida em 2021, totalizando um reajuste de 12,4%. Os servidores reivindicam ainda os valores monetários, devidamente corrigidos, equivalentes aos quatro primeiros meses que ficaram sem reajuste em 2025.

Outro ponto da pauta é a reestruturação dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). A maioria dos planos de cargos apresenta defasagem superior a 17 anos, o que acarreta perdas salariais e diversos prejuízos, como a ausência de promoções e progressões funcionais.

Na pauta constam ainda outras reivindicações, como o reajuste do auxílio-refeição para R$ 25,00 e o fim do teto salarial para o recebimento do benefício; o fim das cotas que limitam a apenas duas consultas mensais no IPM Saúde; e o aumento do teto para cobrança previdenciária dos aposentados e pensionistas, nivelando-o ao que é praticado pelo INSS.

Cobrança por pagamento de anuênios

Além disso, a pauta cobra do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), a assinatura de acordo judicial para o pagamento de anuênios atrasados. O anuênio é um adicional que reconhece o tempo de serviço do servidor público e, caso cumpra determinados requisitos, garante anualmente o acréscimo de 1% sobre o vencimento. O benefício está regulamentado no Estatuto do Servidor (Lei nº 6.794, de 27 de dezembro de 1990).

Negociação

Em nota, a Secretaria do Planejamento, Orçamento e Gestão (Sepog) informou que está analisando propostas de reajuste salarial, considerando as reivindicações dos servidores e a responsabilidade com a saúde fiscal do município. “Na manhã desta segunda-feira (12), uma comissão dos sindicatos foi recebida pelo secretário de Articulação Política, Tibério Burlamaqui. Na reunião, ficou acordado que, até o dia 31 de janeiro, será dada uma resposta aos pleitos. A pasta reforça que o diálogo com as representações dos servidores é permanente”.

Monteiro afirma que os servidores irão aguardar até a data estipulada pela Prefeitura, mas de forma mobilizada, mantendo a agenda de lutas.

Sobre as expectativas em relação a esse retorno, ele avalia: “A gente tem a expectativa de que essa contraproposta não vá atender suficientemente a nossa pauta. Por isso, é preciso avançar nas negociações, na mobilização e nas agendas de luta. A gente não tem muitas expectativas positivas de que já nessa primeira contraproposta haja o atendimento concreto da pauta”.