O primeiro da América Latina: Brasil marca avanço na indústria farmacêutica com produção estratégica de insumo

Nova fábrica de R$ 250 milhões terá capacidade de produzir até 30 toneladas de insumos por ano

Fonte: Revista Fórum

O Brasil passa a produzir, pela primeira vez na América Latina, o insumo farmacêutico ativo (IFA) usado na fabricação do Buscopan e de outros medicamentos. A produção será feita em uma nova unidade industrial da Brainfarma, inaugurada em Anápolis (GO), com apoio do governo federal.

A iniciativa coloca o país em um grupo restrito. Até agora, apenas a Austrália dominava o cultivo da planta necessária para a produção da escopolamina, base do medicamento. O processo inclui desde o plantio da duboisia, no Paraná, até a formulação final do fármaco.

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Produção local e redução da dependência

O projeto prevê o domínio completo da cadeia produtiva. Do cultivo à produção do insumo, tudo passa a ser feito no país, reduzindo a dependência de fornecedores externos e o risco de desabastecimento.

A nova fábrica recebeu R$ 250 milhões em financiamento do BNDES e terá capacidade para produzir até 30 toneladas por ano de insumos farmacêuticos ativos. O cultivo da duboisia pode alcançar 600 toneladas de folhas anuais.

A medida ganha peso diante de um cenário de incerteza. Há previsão de interrupção da produção internacional desse tipo de insumo a partir de 2026, o que poderia afetar a oferta de medicamentos amplamente utilizados.

Estratégia industrial e impacto no SUS

A iniciativa faz parte das ações do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), voltadas à ampliação da produção nacional de medicamentos e tecnologias estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Nos bastidores, o movimento é tratado como mudança de posição. O Brasil busca deixar de ser apenas consumidor para atuar como produtor de insumos essenciais, com impacto direto na estabilidade do abastecimento.

O projeto também se conecta a outras frentes. Parcerias em andamento incluem a produção nacional do nusinersena, medicamento usado no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), cujo custo pode ultrapassar R$ 1,5 milhão por paciente ao ano.