O 31 de março, data do Golpe Militar de 1964, não é apenas um marco histórico — é um chamado à luta. A ditadura imposta ao povo brasileiro foi instrumento de repressão contra a classe trabalhadora, os movimentos sociais e todos aqueles que ousaram resistir. Sob a justificativa de “restaurar a ordem”, o que se viu foi a retirada de direitos, perseguições, censura e violência sistemática, aprofundadas após o Ato Institucional nº 5.
É fundamental afirmar: a ditadura teve lado. E esse lado foi contra os trabalhadores e trabalhadoras. Sindicalistas foram perseguidos, presos, torturados e mortos. Organizações foram fechadas, greves proibidas e qualquer forma de organização coletiva tratada como crime. O objetivo era claro: desmontar a capacidade de luta da classe trabalhadora e garantir os interesses das elites econômicas.
Nesse contexto, é indispensável denunciar também o papel da misoginia como instrumento de repressão. As mulheres trabalhadoras e militantes sofreram uma violência ainda mais brutal. Além da repressão política, foram alvo de violências sexuais, humilhações e tentativas de silenciamento que buscavam expulsá-las dos espaços de luta. A ditadura tentou impor o medo, mas encontrou resistência na coragem de mulheres que não aceitaram a opressão.
Por muito tempo, essa história foi apagada. A memória oficial invisibilizou o protagonismo das mulheres e de tantos lutadores e lutadoras anônimos. Resgatar essas trajetórias é fortalecer a consciência de classe e reafirmar que a resistência sempre foi coletiva.
Os Ataques de 8 de janeiro de 2023 mostram que a ameaça autoritária não ficou no passado. A tentativa de golpe, com a invasão do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, revela que setores reacionários seguem atuando para desestabilizar a democracia e atacar direitos conquistados com muita luta.
A história ensina que não há neutralidade diante do autoritarismo. Ou se está ao lado da democracia e dos direitos do povo, ou se fortalece — direta ou indiretamente — projetos de opressão. Por isso, a resposta precisa ser organização, mobilização e unidade da classe trabalhadora.
Defender a democracia é defender direitos. É lutar contra todas as formas de exploração e opressão, inclusive as de gênero. É enfrentar a desinformação, fortalecer os sindicatos e ampliar a participação popular. Não existe democracia real sem justiça social, sem igualdade e sem o protagonismo dos trabalhadores e trabalhadoras.
Neste 31 de março, o Coletivo Vamos à Luta reafirma nosso compromisso com a memória, com a verdade e com a luta. Honrar aqueles e aquelas que resistiram à ditadura é seguir organizados, nas ruas e nos locais de trabalho, contra qualquer tentativa de retrocesso.
Porque a história não pode se repetir.
Porque direitos não se negociam.
Porque só a luta muda a vida.
Ditadura nunca mais!
Coletivo Vamos à Luta