28 DE ABRIL – DIA MUNDIAL EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DE ACIDENTES DE TRABALHO

Fonte: Fenasps

Esta data foi instituída pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) como o Dia Mundial da Segurança e da Saúde no Trabalho, em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. No Brasil, a Lei 11.121/2005 instituiu a mesma data como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) EM 2025, o Brasil registrou 806 mil acidentes de trabalho e 3.644 mortes o maior número da série, com um aumento de 7% em relação a 2024. O país continua ocupando o quarto lugar no ranking mundial de mortes por acidentes laborais, segundo a OIT. Os dados refletem a necessidade urgente de políticas públicas mais efetivas para prevenir acidentes e promover a segurança no trabalho.

Os números são alarmantes. De 2012 a 2024, foram registrados 8,8 milhões de acidentes do trabalho e 32 mil mortes no emprego com carteira assinada no Brasil. Em 2025, o número de óbitos já ultrapassou 3.644 mil casos no país. Calcula-se que uma notificação de óbito no trabalho formal ocorra a cada 3,5 horas.

Somente no ano passado, o Brasil registrou um total de 806 mil acidentes de trabalho. Além disso, os benefícios por incapacidade temporária associados à saúde mental no trabalho mais do que dobraram no último biênio, passando de 201 mil em 2022 para 472 mil em 2024 (aumento de 134%).

O BRASIL TEM 4 MILHÕES DE AFASTAMENTOS DO TRABALHO EM 2025, MAIOR NÚMERO EM CINCO ANOS:

• O Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença em 2025, o maior número dos últimos cinco anos, segundo dados exclusivos obtidos junto ao Ministério da Previdência Social.

• O volume reforça uma tendência de alta nos pedidos de benefício por incapacidade temporária — antigo auxílio-doença — e ajuda a traçar um retrato dos principais problemas de saúde que têm tirado trabalhadores de suas atividades.

• O benefício é concedido pelo INSS quando o segurado precisa se afastar do trabalho por mais de 15 dias e passa por perícia médica. Em 2025, as dores e lesões físicas seguiram como o principal motivo para a concessão.

• Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde pela segunda vez em 10 anos.

As dores nas costas e os problemas na coluna lideraram as concessões de benefícios no país. Em 2025, a dorsalgia (a dor nas costas) foi a principal causa de afastamento de licença, com 237.113 pedidos concedidos. Ela se mantém no topo do ranking desde 2023. Na sequência aparecem os outros transtornos de discos intervertebrais, como a hérnia de disco, responsáveis por 208.727 afastamentos.

O raio-x dos afastamentos, no entanto, mostra que outro tipo de doença ganhou peso e passou a disputar espaço com essas causas tradicionais: o emocional.

No ano passado (2025), o Ministério da Previdência e da Saúde revelaram que o país enfrentava uma crise de saúde mental, com o maior número de licenças causadas por transtornos mentais em 10 anos. Agora, os dados mostram que o país bateu um novo recorde.

Os casos de ansiedade e depressão cresceram em relação ao ano anterior e, se somados, já formam o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, atrás apenas das doenças da coluna.

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO IDENTIFICA AUMENTO DE ACIDENTES DE TRABALHO NO BRASIL:

• Levantamento destaca impacto entre jovens, fragilidades na gestão de segurança e necessidade de fortalecer instrumentos como CIPA e SESMT.

• Dados apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), durante a live da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT), revelam um cenário persistente e preocupante.

• Desde 2021, o número de acidentes de trabalho no Brasil segue em alta. Houve crescimento de 12,63% entre 2021 e 2022; 11,91% de 2022 para 2023; e 11,16% de 2023 para 2024. No comparativo entre os primeiros semestres de 2024 e 2025, o aumento foi de 7%.

• No Brasil, a dificuldade de mensurar a quantidade real de acidentes do trabalho decorre, dentre outros fatores, da subnotificação, falta de padronização de procedimentos e ausência de sistema de registro unificado. Existem indícios de que uma parcela significativa das ocorrências registradas como de natureza previdenciária tem, na verdade, origem acidentária.

• Jovens de até 34 anos concentram 33,63% das mortes por acidentes de trabalho típicos no Brasil, revelando o alto impacto entre a população em plena idade produtiva.

• Em 2025, a maioria dos acidentes de trabalho resultou em afastamento das atividades. Apenas 25,62% dos trabalhadores acidentados seguiram trabalhando normalmente, enquanto 62,35% precisaram se afastar por até 15 dias e 12,03% ficaram mais de 15 dias afastados.

Os dados evidenciam o impacto significativo dos acidentes na saúde dos trabalhadores e na produtividade das empresas.

Os dados apresentados reforçam a necessidade de intensificar ações preventivas, especialmente nos setores com maior incidência de acidentes, como construção civil, transporte, saúde e agropecuária.

APAGÃO NOS DADOS DO ADOECIMENTO MENTAL DOS SERVIDORES PÚBLICOS

No setor público federal, estadual e municipal faltam dados confiáveis sobre adoecimento no trabalho. Isso ocorre tanto pelo desmonte do SIASS, entre 2016 e 2023, quanto pela ausência de um sistema efetivo de levantamento nacional.

A situação se agravou durante e após a pandemia, com a ampliação do trabalho remoto, jornadas exaustivas que chegam a 12 horas e a ausência de mecanismos adequados para notificação de acidentes e adoecimentos.

Muitos trabalhadores não têm acesso a apoio institucional nem a acompanhamento para recuperação. Grande parte dos casos permanece invisível e sequer é registrada.

A FENASPS realizou pesquisa que apontou esse cenário dramático, com relatos de servidores que apresentaram tendências suicidas, inclusive com ocorrências registradas entre 2024 e 2025 – veja aqui https://fenasps.org.br/2024/06/20/em-pesquisa-fenasps-comprova-alto-indice-de-adoecimento-dosas-servidoresas-do-inss-com-elementos-concretos-de-assedio-moral-institucionalizado/ .

Até o momento, a direção do INSS e do Ministério da Previdência Social não adotaram medidas efetivas para combater o assédio moral e implementar programas estruturados de saúde do trabalhador.

Na Saúde e na Previdência, o cenário segue semelhante: promessas não cumpridas e ausência de políticas efetivas. Recentemente, o Ministério da Saúde iniciou exames periódicos para trabalhadores que atuam no combate às endemias.

Em reunião do MGI em 26 de março, foi apresentado um projeto para implantação de programas de saúde do trabalhador em órgãos federais. As entidades cobraram a reestruturação do SIASS, a criação de comissões por local de trabalho e o levantamento nacional dos afastamentos por adoecimento.

O adoecimento mental se coloca como um dos principais desafios da classe trabalhadora no próximo período. A ampliação do uso de tecnologias e da inteligência artificial no serviço público, combinada com a exclusão digital da população, tende a aprofundar desigualdades e pressionar ainda mais os trabalhadores.

A Federação reafirma orientação a todos os servidores e servidoras, não importa a modalidade de trabalho, é fundamental fazer notificação todas às vezes que se afastar do trabalho para tratamento de saúde. Estes dados são muito importantes, para buscar solução aos milhares de casos de afastamentos de servidores/as, que ocorrem no trabalho remoto, nos locais de trabalho da Saúde, Trabalho, INSS, Previdência e ANVISA.