Para a socióloga e artista plástica Beá Tibiriçá, a soberania digital ‘tem a ver com a vida de cada um’
Fonte: Brasil de Fato
O 2º Encontro Nacional pela Soberania Digital acontece nos dias 18 e 19 de maio em Brasília (DF) e traz como centro do debate a necessidade urgente de o Brasil ter controle de suas infraestruturas digitais, seus dados, plataformas e caminhos tecnológicos, dando ao povo autonomia de escolha. O movimento responde à ação massiva e de influência das big techs no mundo todo.
A socióloga e artista plástica Beá Tibiriçá, fundadora do Coletivo Digital, explica que há quase um ano foi fundada uma frente de trabalho fruto da articulação da Coalizão por Direitos na Rede, a Campanha Internet Legal e a Rede pela Soberania Digital e que, de lá para cá, as estratégias têm focado em ações transversais.
Para ela, sem soberania digital não há possibilidade de construir uma soberania nacional. “Nós temos que fazer todo um trabalho conjunto com imprensa, movimentos, entidades para que as pessoas saibam que a soberania tem a ver com a vida de cada um. Nesse ano todo, nós tocamos os debates para um plano nacional de soberania digital. E a construção desse segundo encontro trouxe os sindicatos, a academia, as organizações da sociedade civil que trabalham com software livre, que são ações essencialmente sobre controle de comunidades e territórios onde elas acontecem. Estamos em um encontro bastante amplo sobre o que vai ser a construção da soberania digital em conjunto com a nossa sociedade”, avalia.
Tibiriça também afirma que o encontro também vai dar visibilidade a iniciativas que já estão consolidadas pela sociedade civil. “Todas as possibilidades que o movimento de software livre trouxe e consolidou por meio da sociedade civil. Por exemplo, a casa Tainã, que está em Campinas, que tem a rede Mocambos, que conecta todas as comunidades quilombolas, que conta com um data center comunitário. Eles vão fazer a cobertura do nosso encontro.”
A fundadora do Coletivo Digital também destaca a presença da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que está em um processo de construção de um data center próprio para que a nossa inteligência digital do Brasil não fique à deriva, para que a gente não precise usar apenas o que é disponibilizado pelas big techs. “A gente precisa mostrar para a sociedade que é possível sem as big techs. É concreta [essa possibilidade] e está acessível”, destaca.
Por fim, Beá Tibiriçá avalia que a hegemonia das big techs e a consequente falta de regulação também deixam a população refém da desinformação. “A gente não precisa viver e aceitar esse ambiente de desinformação. É nesse papel que a gente pretende se colocar: o de facilitar o debate, de contornar a desinformação, de colocar disponível para todo mundo navegar em outros ambientes que não são nocivos, que não são tóxicos. O que nós estamos vendo nas redes sociais, nos data centers, é um movimento para tentar colonizar digitalmente o nosso país. A gente não pode deixar que isso aconteça. Esse é o nosso papel”, conclui.